quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Às vezes...


Às vezes os assuntos externos nos parecem ser tão urgentes. Às vezes as palavras que chegam nos prendem por tão importante. Às vezes o mundo corre tão velozmente e inutilmente nos esforçamos a tentar acompanhá-lo.

Nascem daí o cansaço, a desesperança, os malfazejos atos. Queremos dar conta de algo que nem sabemos o que. E Isso pela culpa por não fazer o que nem sabemos como. Uma infortuna culpa e uma angústia inglória.

Extinguimos nossa divina criatividade. Esquecemos nossos divinos ensinamentos. Negligenciamos nossos divinos corpos. Sobrepujamos nossa divina Natureza.

Às vezes uma pausa é necessária. Às vezes um passeio na mata é urgente e preciso. Às vezes brincar desavergonhadamente com uma criança seja a resposta à nossa incessante pergunta. Às vezes, se entregar para a tamanha loucura de não termos a mínima noção do que fazer, de onde viemos, onde estamos e pra onde vamos, seja a mais prudente decisão a se tomar.

Às vezes pedimos por ajuda. Às vezes imploramos por clareza. Às vezes desejamos tantos de sermos bem cuidados. Às vezes a cura vem de um banho de espuma, às vezes de um pé de manga carregado, às vezes em deitar na beira da praia, às vezes num carinho de um amigo na pele desnuda. Às vezes só mesmo da lua minguar.

E no meio de tanto “às vezes”, estão os “ sempres” a nos salvar: sempre tentar, sempre acreditar, sempre cantar, sempre orar, sempre rir e sempre amar. E que entre tanto “às vezes”, não percamos nossas vidas por sonhar, não gastemos nossas línguas por falar, não deixemos de ver o sol nascente e o sol poente de cada milagroso dia por brigar.
 
 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Em tempos difíceis...



Em tempos difíceis, tome um banho gostoso com óleos essenciais de lavanda, alfazema ou rosas. Faça um escalda pés e uma massagem em seus pés, sentindo-se, acarinhando-se, aliviando-se de algumas tensões e dores. Observe sua respiração, acalme-a, e expire mais longo do que inspirou. Medite, reze, confie. 
Aproveite para expressar seus talentos, mesmo que ninguém peça ou pague por eles. Faça-o com todo seu amor. Cuide de sua alimentação, cuide do seu sono, e cuide de sua casa.
Faça contato com pelo menos um amigo, ou um familiar querido todos os dias só pra dar um "oi", com a manifestaçao de sua real gratidão por tê-lo em sua vida.
Lembre-se que é como se você estivesse fazendo um passeio de barco, às vezes está na calmaria, mas de um minuto ao outro pode aparecer uma tormenta. O barco vai balançar, muito, às vezes muito mesmo, mas confie que, com seu coração, você chega na outra margem.
Coloque Deus em primeiro lugar na sua vida. Se não tem um Mestre espiritual, peça pra ele chegar. E quando ele vier, cuide muito bem dele. Isso é precioso.
Em tempos fáceis, faça tudo igual.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Reinado de Clara Liz

Cuidado? É o Amor que sinto transbordado
 
É a doce beleza de um amparo
Num olhar, num tocar,
Te levar pra dentro confortado
Caminhar junto, lado a lado
Saber de ti, num silêncio respeitado.
Enquanto eu firmada, é tocar teu peito
Fazer-te, como posso, se lembrar de teu reinado.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Doce Cuidar


Hoje acordei pela manhã e me senti absolutamente como passando meus tempos na Mãe Índia. Ainda com o céu escuro, mas os passarinhos já cantando, antes mesmo de o despertador tocar eu já estava há algum tempo acordada, com uma percepção bem sutil da existência infinita e misteriosa da libertação. Era quase quatro da manhã quando uma musculatura presa em minhas costas, que reflete numa dor no meu braço esquerdo, começou a me incomodar. Neste momento busquei uma bolinha de tênis que uso para automassagem e fiquei deitada em cima dela. Rolando meu corpo sobre a bolinha, fui iluminado fibras musculares à minha consciência, uma a uma, bloqueadas, sem energia, e algumas sensações já conhecidas e bem agradáveis pôde relaxar um pouco meu corpo, sentindo um fluxo passar de onde estava preso, saindo pela boca, como rajadas de vento.

Apesar de acordada há tempos, às seis e meia, com o despertador tocando, o corpo foi colocado em posição vertical sob um comando bem austero, caso contrário ficaria lá por horas como estava. Ao que segue minha rotina diária, fui ao banheiro fazer as primeiras eliminações do dia, ainda resquícios do chá tomado à noite, já eliminado muitas vezes durante a madrugada. Em seguida, na cozinha, com água morna tomei meus compostos Ayuvedicos e já estava preparada para o Sadhana matinal. Uma vela foi acesa em meu altar, pedindo a conexão eterna com meu Guru, e de volta à cama, agora sentada, cerrei os olhos e comecei a entoar meu guru mantra, em silêncio.

Entre muitos e muitos pensamentos, aquela sutil sensação de libertação novamente pôde ser verificada, e entre ela e os pensamentos incessantes e repetitivos havia um limite bem claro. Na verdade, a escolha era clara. E também clara era a força que me empurrava aos pensamentos. Restava-me apenas a pedir, pois de minha parte já havia chegado o quanto me cabia, até aquele momento.  Então foi me dada a percepção de que eu estava escolhendo reafirmar tais pensamentos e crenças e podia não fazer mais, apesar de ainda acreditar nelas. Uau!!! Uma decisão e tanto deixar o que se acredita para trás, mantendo apenas a crença de que é Deus quem age por mim. Uma hora é chegada de confiar nesta máxima tantas vezes ensinada!

Antes de completar uma hora do Sadhana, a mente já começava a desfocar  da unidade (ainda não a unidade plena, porém satisfatória), e o corpo pedia por ser esticado, alongado, mexido. Uma sessão básica de yoga, com alguns ásanas e pranayamas, respondeu ao chamado. A essa hora, os ruídos já eram intensos. Carros e ônibus nada comedidos com a possibilidade dos barulhos que lhes foram conferidos. Bastante desrespeito e muita buzina acontecem todos os dias na grande avenida em que moro. Consenso e generosidade no trânsito dificilmente são alcançados e, assim, ao menos aparentemente, a paz anda longe de muita gente. Ao menos em mim ainda posso senti-la. E para completar o cenário que me fez lembrar carinhosamente a doce e sagrada Mãe Índia, há a construção de um grande edifício no sopé de minha janela. Rente mesmo. Vou quase poder tocar a mão do meu vizinho se esticarmos os braços. As máquinas gritando, os homens gritando, as pilhas de metais que subitamente caem de grandes alturas gritando. Como se não bastasse, alguém no corredor, na porta ao lado, aproveitou a já falta do silêncio pra fazer uso de uma furadeira na parede. “Oh God!!!”.  Mas, ok, foi justamente de um cenário sonoro parecido que saíram os mais belos ensinamentos do Yoga, do Ayurveda, da meditação. Apesar de tudo, ainda estou aqui, não muito distante do meu centro. Olha, até posso ser ousada em dizer que hoje estou um pouco mais perto dele!

Vivo hoje o trabalho da aceitação de que esses são os fatos, esse é o momento, é isso o que se apresenta agora. Não há do que fugir, nem pra onde. Sendo apenas um reflexo da mente, pra onde for, levarei comigo.  Fazendo uso de muitas ferramentas, habilidades e compreensão que vim adquirindo nesses últimos anos, vou seguindo o caminho e me cuidando, aplicada e docemente, pra, diante de tudo isso, manter minha saúde e passar por onde terei de passar. É a verdadeira prova da solitude, é um caminhar que, num determinado ponto, somente se pode realizar sozinho.  No entanto, tenho um mestre que está a meu favor, e isso é o meu Norte.

Foi por muitos anos observando e aprendendo a arte de me cuidar, sabiamente, buscando e colocando em prática novos conhecimento, que me vi apta a cuidar de outras pessoas as quais estão passando pelos mesmos lugares por onde eu passei, e, fundamentalmente poder auxiliá-las no processo de saberem cuidar de si mesmas. A experiência me mostra o caminho do real, se constantemente me deixar aberta a aprender com ela. A experiência tem me mostrado as dificuldades e as necessidades que se pode encontrar nesse percurso.  A experiência vem me afinando à compaixão. E por compaixão, é com a doçura que se manifesta através mim, pura expressão do Amor Divino, que tenho me colocado a serviço, pelo Karma e pelo Dharma, na tarefa do cuidar. Fazendo deste Seva um voto ao real propósito de minha existência.

sábado, 8 de setembro de 2012

Flores de um novo dia

(FOTO: Harutiun Poladian Neto) 

Um dia para recomeçar o novo dia

Não deixar esmorecer, que a claridade vai seguindo,

E por mais misericordiosa que venha a ser, não espera por teu tempo.

Segue, anda, caminha. Sim, ao teu tempo. Mas segue o dia,

Que esse se encarrega por te bem guardar. Tudo ao seu tempo.

Lembre-se que sementes sempre podem ser plantadas. E flores por ti colhidas.

Lembre-se que as cores podem te trazer vida. Lembre-se da vida, que é por ti vivida.

Saiba escutar, aprenda a fazer, não espere por rezar.

Tudo que no mundo habita precisa um pouco de ti em comunhão.

Faça um novo dia. Ande pra frente, olhe pra frente, saiba esperar.

Que de tudo que o futuro guarda, é somente do presente, as sementes bem regadas,

As flores mais belas e os frutos mais doces são o que darão a certeza

De que tudo, e nada mais, fez da vida a arte de valer a pena.